O calendário especial da sua empresa: por que gerir os custos significa gerir o tempo.
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O calendário especial da sua empresa: por que gerir custos é gerir o tempo.
O erro cometido pelas empresas que acreditam que haverá sempre tempoNo início deste ano, disse-vos que não tenho um calendário normal no meu frigorífico — tenho um memento mori.
É um calendário que não indica que dia é hoje. Lembra-nos de algo muito mais incómodo: que o nosso tempo é finito.
A cada semana que passa, ris-a da lista. E não ris «o que viveste», mas sim o que nunca mais voltará.
O calendário calcula o tempo teórico que ainda lhe resta, partindo do princípio de que a esperança média de vida é de cerca de 85 anos. É simples. É visual. É desconfortável.
E, sem me aperceber, isso ensinou-me muito sobre a gestão de custos nas empresas
Quanto tempo te resta?
Na terceira semana que marquei como concluída, percebi algo que parece uma tolice, mas não é.
Não foi um «Como está a correr o teu ano?».
Era uma questão de «quanto tempo te resta».
Quanto tempo te resta para aproveitar a vida ao máximo?
E o engraçado é que não me senti ansioso.
Senti uma clareza que não esperava.
Porque quando percebemos que a vida não é infinita, mudamos o tipo de decisões que tomamos.
Foi precisamente nessa altura que percebi que isto se pode aplicar às empresas.
Porque, se há uma coisa que as pessoas e as empresas têm em comum, é esta:
Uma má gestão do tempo tem sempre um custo elevado.
E não estou a falar apenas do tempo cronológico.
Estou a falar de tempo financeiro, operacional e estratégico.
Aquele que muitas empresas continuam a tratar como se fosse infinito…
até chegar dezembro e descobrirem que não era assim.
A metáfora que o memento mori oferece a qualquer empresa
Se pararmos para pensar, a sua empresa também tem o seu próprio calendário silencioso.
As semanas em que cresce.
Semanas em que se mantém estável.
E semanas em que apenas sobrevive, em vez de avançar.
Mas, acima de tudo, há algo que quase nunca é avaliado: um intervalo de tempo limitado para reagir.
Quando os custos aumentam.
Quando a procura muda.
Quando a cadeia de abastecimento fica paralisada.
Esse prazo para reagir é algo que muitos líderes dos setores retalhista e grossista já reconhecem como o maior obstáculo à concretização dos seus objetivos nos próximos meses.
Por outras palavras: o tempo de reação é limitado, e é preciso saber aproveitá-lo bem.
No entanto, muitas empresas agem como se tivessem anos de estabilidade garantida pela frente.
O memento mori, sem querer, levanta uma questão que todas as empresas deveriam ter em mente na sala de reuniões:
Por quanto tempo mais poderá continuar a gerir os seus custos da mesma forma que tem feito até agora?
O tempo não é estático, e a sua empresa também não.
Quando se lêem análises de especialistas sobre otimização de custos, há uma ideia que tem vindo a surgir repetidamente este ano — e que certamente lhe soará familiar.
Embora 2025 tenha sido um ano de crescimento para muitas empresas, também foi marcado por atritos significativos.
Os responsáveis financeiros afirmam, quase em uníssono, coisas como estas:
que a cadeia de abastecimento e a disponibilidade de pessoal qualificado têm sido os principais obstáculos em 2025 e continuarão a sê-lo em 2026;
que os custos com materiais e logística foram os golpes mais duros e inesperados do último ano;
e que, mesmo em cenários de crescimento, a rentabilidade a curto prazo é agora a principal preocupação, enquanto a tecnologia e a sustentabilidade começam a dominar a agenda estratégica.
Se pensarmos bem, isto é exatamente um memento mori empresarial:
Uma lembrança de que o tempo decorre em ciclos e de que cada ciclo exige uma resposta diferente.
Não se pode esperar até ter um problema para reagir.
Quando isso acontecer, já estarás a contar as semanas.
O dia em que percebi que o memento mori era um sistema de gestão
O dia em que compreendi o verdadeiro valor do memento mori foi quando deixei de o ver como um lembrete existencial e comecei a vê-lo como um sistema de gestão.
Não como algo dramático. Mas como uma forma de tomar melhores decisões.
No contexto empresarial, a lógica é simples: se partirmos do princípio de que o tempo de reação é limitado, deixamos de adiar decisões difíceis.
É por isso que, seguindo esta filosofia, há três perguntas que qualquer equipa de gestão deve colocar a si própria:
Que decisão importante é que ainda estou a adiar por achar que «ainda há tempo»?
Muitas vezes, não se trata de falta de informação. Trata-se de um excesso de complacência.
O que é que eu continuo a agarrar-me que já não faz sentido manter?
Contratos, processos ou estruturas que são mantidos por inércia, e não devido ao seu valor.
O que é que me está a custar mais do que aquilo que realmente me traz?
E não apenas em termos de euros, mas também em termos de atenção, energia e margem de manobra.
Por que é que tudo isto é importante neste momento?
Porque hoje sabemos várias coisas com toda a clareza:
40 % das empresas consideraram a otimização de custos como uma das suas três prioridades estratégicas para 2025.
A maioria está a concentrar-se em melhorar o que já existe: cadeia de abastecimento, marketing, sustentabilidade, tecnologia e inteligência artificial.
E fazem-no porque estas iniciativas apresentam um claro retorno do investimento, normalmente num prazo de 12 a 18 meses.
A tendência mais forte é esta: modernizar para crescer.
Obter uma visão geral do inventário.
Automatização de processos.
Reduzir os atritos que, atualmente, consomem tempo e margem sem que ninguém se aperceba.
No fundo, a otimização de custos não é uma obsessão financeira.
É uma forma muito concreta de gerir o tempo de forma estratégica.
Tal como num memento mori.
Um dezembro diferente para a sua empresa.
Neste dia 23 de dezembro, não vou falar-vos de resoluções.
Sejamos sinceros, ninguém quer mais uma lista que desapareça em fevereiro.
Mas quero sugerir-lhe algo mais útil.
Antes do início do próximo ciclo operacional, crie a sua própria versão de um «memento mori» empresarial.
Não precisas de pendurar um calendário gigante nem de riscar as semanas (a menos que queiras).
Basta fazer a si mesmo três perguntas, com calma e sem se iludir: 1. Que área do seu negócio requer atenção imediata para proteger a sua margem de lucro? Talvez seja a fixação de preços, a energia, o transporte ou qualquer custo estrutural que esteja atualmente a exercer pressão sobre a rentabilidade.
96% das empresas planeiam ajustar os preços para manter as margens. A questão é saber se a sua empresa está preparada para o fazer da forma correta.
2. Que iniciativas poderia financiar simplesmente otimizando o que já possui? Muitas equipas de gestão estão a libertar capital através do reajuste de contratos e cláusulas de indexação, da automatização de tarefas repetitivas, da redução do desperdício ou da melhoria da visibilidade.
Não parece nada glamoroso.
Mas dá para pagar as contas e garantir o futuro.
3. O que é que está a adiar e que, se começasse agora, mudaria a situação da sua empresa dentro de 12 meses? Porque esse é o prazo realista que as empresas estão a utilizar: 12 a 18 meses para demonstrar o impacto
A sua empresa também opera nesse período.
Não num «algum dia».
O que aprendi este ano ao riscar itens da listaEmbora possa parecer o contrário, este ano não aprendi a ser mais produtivo.
Aprendi algo muito mais útil:
A importância de rever a situação antes que o processo se deteriore.
Quando se avalia o que se tem, é possível melhorá-lo.
E que as decisões que adiamos são, normalmente, aquelas que acabam por sair mais caras.
O «Memento mori» não nos ensina a temer o fim.
Ensina-nos a fazer algo útil com o presente.
E se 2026 nos trouxer alguma coisa, esperemos que seja clareza.
Mas crescer com margens mais saudáveis, estruturas mais ágeis e custos sob controlo transforma a vida de uma empresa.
Se quer começar o ano com menos confusão, mais concentração e um plano realista para otimizar os custos, vamos conversar.
E, caso contrário, desejo-lhe umas festas maravilhosas.
Obrigado por terem lido as minhas publicações mais um ano. Que 2026 traga clareza em vez de urgência.
E, se não for o caso, que pelo menos este artigo o ajude a decidir mais cedo.