Quando a viagem é bem planeada, o trabalho envolvido nas compras passa quase despercebido





Não houve atrasos
Não havia filas intermináveis
Não houve surpresas.
Tudo se encaixou.
E é precisamente por isso que ninguém pensou na logística.
Ou quem o tinha organizado.
Nem sobre tudo o que teve de correr bem para que tudo desse certo.
Só pensamos na viagem quando algo corre mal.
O voo de ligação está atrasado, a mala perde-se ou um engarrafamento faz com que perca o voo para o qual já estava atrasado.
E o mesmo acontece com as compras.
Quando tudo funciona, as compras passam despercebidas.
Quando algo corre mal, a situação torna-se crítica.
E é aí que começa a conversa sobre a otimização de custos.

Há muito tempo que a gestão das aquisições numa grande empresa se assemelha ao sistema de compra de bilhetes.
Não é isso que define a experiência.
Não tem em conta alternativas.
Simplesmente funciona.
Vê o preço, compara e compra.
Analisaram os custos, negociaram com os fornecedores, assinaram contratos e, desde que tudo corresse bem, não faziam muitas perguntas.
Porque quando a viagem corre bem, ninguém pergunta quem a organizou.
Porque quando a viagem corre bem, ninguém pergunta quem a organizou.
Mas agora o contexto mudou.
Hoje em dia, a área de compras já não se pode limitar apenas ao controlo das despesas.
O relatório do ERA Group intitulado «O Poder Estratégico das Aquisições: Liderar a Próxima Década» deixa claro que, até 2025, as aquisições deixarão de ser uma função reativa e passarão a ser uma componente essencial da estratégia.
E quando o ambiente muda,
continuando a funcionar como antes
já não é uma opção.

Quando se viaja, há uma diferença importante entre chegar e chegar bem.
Pode chegar após três escalas exaustivas,
exausto,
sem margem para erros,
rezando para que nada mais corra mal.
Ou pode chegar com tempo, opções e capacidade de reagir.
Nas organizações, essa diferença é designada por «margem de manobra».
Às vezes chama-se-lhe resiliência, uma palavra muito na moda de que não gosto particularmente, mas acho que todos compreendemos o que significa quando ela falta.
Hoje em dia, a inflação, a incerteza política e a complexidade das cadeias de abastecimento transformaram qualquer planeamento frágil num risco constante.
Isto não é apenas uma questão de perceção.
62 % dos profissionais de compras identificam a inflação como a sua principal preocupação, um valor muito superior ao dos anos anteriores.
A isto acrescentam-se contratos de longo prazo que estão a chegar ao fim, fornecedores cada vez mais dispersos e uma escassez de profissionais especializados.
Quando o problema é estrutural, as soluções táticas deixam de funcionar.
E nas viagens, tal como nas aquisições, improvisar quando já se está na estrada costuma ter um custo elevado.

Quando se viaja, escolher apenas com base no preço costuma ter consequências.
Ligações impossíveis.
Escalas intermináveis
e longas esperas.
Capacidade limitada de reagir quando algo corre mal.
O mesmo acontece com as compras.
Durante anos, a otimização de custos tem sido entendida como a obtenção do melhor desconto.
Mas essa abordagem já não é suficiente.
Tem sido, e continua a ser, uma gestão consciente dos impactos, dos riscos e da margem de manobra.
Tal como qualquer viagem bem planeada.
Horários.
Ligações.
Alternativas caso algo corra mal.
No entanto, muitas funções de compras continuam a operar com dados desatualizados, processos manuais e decisões reativas.
A transformação digital já não se resume a «avançar mais depressa»
O que importa é olhar para o futuro
Identificar onde se concentram os riscos.
Ver quais os fornecedores que estão a começar a falhar.
Perceber quais as decisões que têm um impacto real… e quais são apenas ruído.
As organizações com equipas de alto desempenho compreendem isso perfeitamente.
É por isso que destinam até 24 % do seu orçamento à tecnologia,
utilizando inteligência artificial para:

Há percursos que funcionam hoje, mas que deixarão de ser viáveis dentro de alguns anos.
Devido aos custos.
Devido aos custos.
Devido à regulamentação.
Devido ao impacto ambiental.
Isso acontece quando se viaja. E também quando se faz compras.
A sustentabilidade já não é apenas uma questão de reputação; tornou-se um critério estratégico.
O relatório do Grupo ERA que mencionei anteriormente reflete claramente isso:
Em apenas dois anos, o número de organizações com políticas formais de sustentabilidade duplicou.
E não apenas por uma convicção ética isolada.
Porque afeta:
Contratos bem elaborados.
Ferramentas poderosas.
Mas se as pessoas não compreenderem o itinerário, a viagem fica prejudicada.
No domínio dos contratos públicos, isto está a tornar-se cada vez mais evidente.
Hoje em dia, dominar a parte técnica já não é suficiente.
As competências que fazem a diferença incluem:

